Centro documentação Álvaro Siza | Álvaro Siza Documentation Center

Entrevista de José Salgado a Álvaro Siza
A CASA em Roberto Ivens

Falar de uma casa não é apenas referir as medidas dos seus compartimentos ou descrever com minúcia a distribuição dos seus espaços. Também é isso. Mas por mais rigorosa que seja essa informação ela é sempre insuficiente para se obter um retrato satisfatório do que é mais relevante quando falamos de casas: os momentos de vida de que foram ou são protagonistas.

No limite, uma casa é uma coisa.

Mas, apesar de coisa, a casa sofre da irresistível tendência a descoisificar-se. É da sua condição genética. A sua natureza está sempre a empurrar-nos para outras paragens e a mitigar-se noutros assuntos. Parece que falar em casas é mergulhar no incomensurável poço sem fundo dos assuntos humanos.

Cada casa é um caso.

E é um caso anterior à sua específica construção. Inicia-se na vontade expressa de alguém que diz: “Faça-se!” e prossegue na particular sedimentação que confere espessura à narrativa da história – da sua própria, e da outra, mais geral, a que inexoravelmente pertence.

Em muitas situações a notoriedade ou importãncia existem desde o primeiro momento. Noutras, não.

Para que a casa que justifica estas linhas se tornasse um caso merecedor de especial destaque, foi preciso que se tivessem conjugado inúmeros factores, obviamente alheios e insuspeitados por todos quantos com ela se relacionaram até há bem pouco tempo.

Referimo-nos à casa que tem o nº 582 da Rua Roberto Ivens, em Matosinhos.

Ocupa aproximadamente 84 metros quadrados de um lote que possui 423 . No pátio que tem nas traseiras existe um pequeno pavilhão de 9m2.

O caso desta casa reside no facto de ter sido a casa da família do arquitecto Álvaro Siza Vieira, de ter sido reabilitada por ele e de ter sido adquirida pela Câmara Municipal de Matosinhos para nela instalar um Centro de Documentação referente à vida e à obra do arquitecto.

É uma casa de três pisos, mandada construir, em meados do século XIX, por José Gonçalves de Lima Camacho (1835 - 1892) um “torna-viagem” que enriqueceu no Brasil, bisavô materno do arquitecto. Porque de vez em quando sucede que falar em casas é também falar de arquitectura, resolvemos transcrever o essencial de uma conversa que tivemos com o arquitecto Álvaro Siza a propósito desta casa.

José Salgado (J.S.) - Uma questão que gostaria de ver esclarecida é: como foi feita a encomenda para reabilitar a casa? Sabendo como ela era antes, pode parecer que não houve grandes mudanças…

Álvaro Siza (A.S.) - Não, não. Houve alterações significativas! A casa tinha aquela organização tradicional, pequenos espaços, “marquise” atrás e não dispunha de uma área suficientemente grande para reunir gente. A ideia do meu pai foi ampliar a sala absorvendo a “marquise”. Já não me recordo se discutiu muito comigo as alterações mas uma das coisas que ele queria muito era ter um escritório. Inclusivamente já tinha comprado a mobília.
A ideia consensual a que se chegou foi fazer uma sala única, embora articulada, e, na parte da frente, do lado da Rua Roberto Ivens, colocar o escritório, e, nas traseiras, na parte que abre para o jardim, ampliar a sala, anulando a “marquise”.
Esse aumento tinha também a ver com a cozinha, No fundo, com toda a organização da casa. Aí, por influência minha com certeza, pois pretendia torná-la mais fluida. Com vantagens e inconvenientes, devo dizer. Não sei se hoje faria do mesmo modo. Mas, a intenção era conseguir mais espaço e maior ligação entre os espaços. No fundo, eram as ideias da época, promover a fluidez do espaço.

J.S. - Foram viver para a Rua Roberto Ivens em 1949. Estiveram lá muito tempo com a casa sem obras…

A.S. - Sim, sim. Mas, logo na altura, o pai e a mãe iam muito ao Porto, e eu, por vezes, também os acompanhava, para escolher e comprar torneiras, louça sanitária e tudo o que era mais urgente e necessário para renovar e melhorar as condições da casa…

J.S. - Em 1960/61 a remodelação que dirigiste manteve a compartimentação mais ou menos inalterada. Não houve grandes demolições…

A.S. - Não, a não ser a parede da “marquise” que era de pedra. Essa, sim. Mas todos os tectos, a cobertura e as paredes precisavam de ser recuperadas. E era preciso melhorar o sistema da electricidade, as canalizações, estabelecer drenagens, etc.

J.S. - Apesar de se manterem os vãos existentes na fachada, por exemplo, desenhaste novas caixilharias, substituiste a porta.
A introdução destes “novos” elementos, assumida-mente modernos e um pouco “esquisitos” para a época, como eram vistos pelo pai? Aceitava-os com “boa cara”?

A.S. - Não. Por vezes discutimos, ou porque a obraestava a ficar cara, mais cara do que ele contaria, ou porque achava um exagero fazer determinada transformação. Achava que não era necessária. Eu, claro, que estava em princípio de carreira, tinha todo o entusiasmo e queria muito que aquele trabalho ficasse bem. Daí a atenção a todos os pormenores, do desenho à escolha dos materiais, à cor, enfim, a tudo o que estava em jogo no projecto.

J.S. - Para além dos aspectos evidentes da caixilharia, uma das marcas, digamos assim, da tua intervenção, foi aquele tubo…

A.S. - Ah! Já sei! Era preciso fazer a ventilação do quarto de banho das lojas! Porque a intervenção também tinha a ver com as lojas. Tinham um pé direito baixíssimo. O acesso às lojas, que eram exclusivamente para serviços, fazia-se ou por umas estreitas escadas interiores, ou pelo exterior, pelo pátio. Na nova divisão introduziu-se aí um quarto para a empregada, um quarto de banho para ela, uma parte de serviços e uma zona de estar, em contacto com o pátio. Era fresquinho! Fez-se até uma estante para pôr os livros… O quarto de banho precisava de ventilação. Não havia chaminé nem parede que a pudesse envolver. Por isso pu-la à vista! Era aquele princípio da “verdade na arquitectura”! Aí, o meu pai reagiu: “Mas… isto é horrível, um tubo de fibrocimento pelo meio da casa!!”

J.S. - Realmente mal se entra, deparamo-nos com esse elemento que não se sabe se é uma coluna, um pilar… Ninguém fica indiferente…

A.S. - (risos) A princípio o pai não gostava nada! “Que horror!” Mas depois acabava por ceder. Como sabes, o pai era uma pessoa que podia discutir muito, ralhar, mas, no fundo, era muito tolerante. Não era um espírito bélico, (risos), do uso do poder.

J.S. - De qualquer forma como viveste a relação com um dono de obra tão especial?

A.S. - Por um lado era muito crítico em relação ao que considerava ser exagero mas, sobretudo ao que achava ser um dispêndio de dinheiro não necessário. Por outro, pelo facto de ser pai, reconhecia o meu esforço e o meu entusiasmo que diariamente testemunhava e nunca foi destrutivo nas críticas que produziu. Acho que sempre compreendeu a necessidade da minha afirmação de juventude…

J.S. - A questão do pavilhão…
Quando se mudaram, já havia o pavilhâo?

A.S. - Não! O pavilhão foi feito durante a primeira remodelação da casa, teria eu 15 ou 16 anos. Foi depois de nascer a Teresa…

J.S. - Já estavas nas Belas Artes?

A.S. - Não, ainda não! Entrei depois e um pouco contrariado porque não era bem aquilo que eu queria … Mas, quanto ao pavilhão, o meu pai é que me pediu. Eu tinha feito para um grande amigo dele, o Ferreira da Silva, o desenho de umas casitas de lavoura para a quinta que possuia em Geraz do Lima. Porque eu desenhava desde miúdo, o Ferreira da Silva achou que, como eu desenhava muito, podia fazer o projecto, ou melhor, desenhar as pequenas construções agrícolas de que necessitava.
Como fui capaz de fazer esses desenhos, o meu pai pediu-me então que desenhasse um espaço que eu e o meu irmão reclamávamos para estudar, desenhar e inclusivamente montar um mini laboratório de química.
Fiz o desenho segundo as instruções dele.
Nessa altura não sabia nada de nada. Enfim, havia um mestre de obras que sabia e portanto esclarecia o que fosse necessário esclarecer, e lá se construiu o pavilhão. Que corresponde um pouco a um gosto da época. O gosto mais conservador, que tem a ver com a “casa portuguesa”, com os telhadinhos e beirais. Eu nem sequer tinha qualquer sentido crítico em relação a isso. No fundo, fiz o que o meu pai pretendia e também com gosto porque era uma outra forma de desenhar. Além de tudo o mais com interesse porque depois passava a ter um espaço para trabalhar.
Ali desenhei, pintei, estudei, fiz escultura como sabia e podia e o meu irmão fez experiências de química que invariavelmente terminavam com a chegada da hora do almoço, em que, todo entusiasmado anunciava ao pai: “hoje inventei o processo X para isto ou aquilo!” ao que também invariavelmente o pai retorquia “mas, ó filho, isso já foi inventado há séculos!”. Apesar de um pouco desapontado, no dia seguinte já tinha a cabeça cheia de novas “invenções”!

J.S. - E o Júlio Manuel? Não usava o pavilhão?

A.S.- Não. O Júlio Manuel estudava no seu quarto que era à entrada e tinha uma vida fora de casa muito intensa porque era jogador de voleibol. de basquetebol e de andebol. Jogava no Leixões e no Centro Universitário. Era uma pessoa muito comunicativa, para além de estar muito empenhado nos seus estudos que chegou a concluir, brilhantemente, antes do acidente que o vitimou.
Era o António Carlos e eu que usavamos o pavilhão. De vez em quando também o pai, sobretudo para nos dar explicações de matemática. Lembras-te de um quadro preto? Ainda é do teu tempo… Era o que ele usava quando nos dava lições.

J.S. - E quanto ao quintal? Não sei se se deve chamar assim ou se será mais correcto chamar-lhe jardim…

A.S. - O pai quis fazer um caminho empedrado … Depois, o resto, era o reino da minha mãe. Ela é que decidia que flores havia de pôr, das plantas, das árvores, do galinheiro, etc.
É preciso pensar que nessa altura, ou um pouco antes, na casa do lado, que era da minha bisavó materna e que comunicava com a nossa, havia um porco. Todos os anos se alimentava o porco. Depois havia a morte, o assassinato (riso) do dito. Após uma grande festança, uma almoçarada, ficava aquele “material” todo a render durante um ano.
Nós passavamos muito tempo em casa da minha bisavó. Nessa altura, como já todos estudávamos, não era assim tanto, mas em meninos todos os dias íamos para lá brincar.

J.S. - As tuas memórias mais antigas estão, com toda a certeza, ligadas à casa da avó paterna onde nasceste e onde viveste a infância e parte da juventude. Sabendo como a família era coesa e como alimentava essa coesão através de rotinas muito bem definidas, sentiste algum choque quando se mudaram para a casa da Rua Roberto Ivens? Em que medida se alterou o “modus vivendi”?

A.S. - Teve a ver mais com mudanças de estilo de vida que se foram produzindo paulatinamente. Na casa da avó o centro da vida era a sala de jantar. Ali se almoçava, estudava, trabalhava, lanchava, jantava, etc.
Eu fiz a instrução primária estudando em casa. Acabado o almoço e levantada a mesa chegava a professora, que era uma parente nossa, professora de inglês, e era ali, nessa mesma mesa que tinha as lições, fazia as cópias, os ditados, etc.
Depois de jantar, o tempo de lazer ou de trabalho continuava a desenrolar-se na sala, porque o hábito era assim, As senhoras ficavam a tricotar, a fazer paninhos, e o meu pai, quando chegava, porque dava aulas à noite – era professor de desenho de máquinas no curso nocturno da Escola Infante D. Henrique – era na sala que corrigia os trabalhos dos alunos. Ainda há dias encontrei um ex-aluno dele, em Aveiro. Muito velhinho, mas reconheceu-me e veio falar comigo. Era de Matosinhos.
Mas, voltando à sala, ela era o local de outras actividades: aos fins-de-semana jogava-se ping-pong na mesa ! Vinham amigos do meu pai e do meu tio e foi aí que eu comecei a desenhar. Ao colo do meu tio Quim, que era uma absoluta negação para o desenho, mas que sempre me entusiasmou. Ensinava-me a desenhar um cavalo ou qualquer outra coisa, embora ele não fosse capaz de o fazer. Estimulava--me constantemente e foi ele que me inculcou no espírito que devia assinar os desenhos. Eu assinava “Ajo”, uma sigla que ele me forneceu: obviamente saída de Álvaro Joaquim!!
Antes da mudança de casa o aquecimento era produzido por uma braseira que se punha debaixo da mesa, Toda a gente procurava colocar os pézinhos no estrado de madeira, onde se punha a braseira. Quando acabava a refeição a braseira era retirada para o lado, mas a mesa continuava a ser o centro das actividades. É claro que com o final da guerra tornaram-se mais nítidas algumas modificações a que todas as famílias aderiam. Começava a haver uma vida social menos fechada com os vizinhos. De tal modo que a vizinhança se constituia como o prolongamento da família. Com os seus altos e baixos. Começava a ter sentido falar-se em sala comum, em possuir frigorífico e rádio. Lembro-me de ouvir o Fernando Pessa, na BBC, no tempo da guerra. O meu pai ia ouvir e eu ficava com ele. Também foi com o rádio que comecei a ouvir e a gostar de ópera de que o pai era um fervoroso apreciador. O rádio foi muito importante…

J.S. - Até havia a sala da telefonia…

A.S. - …ou quarto ?! que era pegado à sala de jantar, era como o prolongamento daquele centro social…

J.S. - De qualquer forma, os hábitos ou certas rotinas da casa da avó foram-se alterando, quanto mais não fosse, porque o espaço físico onde se processavam já não era o mesmo…

A.S. - Sim, claro. Por um lado no sentido de uma especialização. Por exemplo, não é por acaso que o pai quis ter um escritório. Logo na primeira renovação da casa, comprou uma mobília. Sentia a necessidade de ter o seu espaço próprio, especializado. A polivalência da sala de jantar começava a não fazer sentido. E, não é verdade que a especialização das funções é uma pedra de toque, uma das notas mais marcantes do modernismo? Isso e a fluidez do espaço, a comunicação entre os espaços, que tinha a ver com as áreas mínimas, e com a sua superação através da ampliação visual.

J.S. - Não restam dúvidas que a casa de Roberto Ivens, sendo uma casa tradicional, idêntica a muitas outras de meados do século XIX, apresenta, desde a porta e no conjunto da fachada, marcas claras da modernidade dos anos 50/60 do século XX. No entanto, apesar da presença de elementos modernos, o “ar” novecentista da casa não foi destruído…

A.S. - Eu não posso precisar, porque já lá vão muitos anos, se foi mesmo um propósito não cortar essa continuidade histórica ou se foi resultado da economia. Sei que não há uma transformação radical. Mas, se tem a ver com razões económicas também terá certamente a ver com o interesse que passava na época, pela arquitectura tradicional. Penso que estamos perto dos anos do Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa.
Lembro-me, por exemplo, que a escolha da cor interior, aquele verde seco, tem a ver com uma casa onde estive, não sei bem onde, uma casa antiga, que tinha aquela cor. Aquele verde usava-se. À beira-mar, Vila do Conde, Póvoa, etc.
Com a procura da modernidade, sem dúvida, mas numa altura em que começava a ser muito forte o discurso sobre a tradição e a continuidade, na sequência ou contemporaneamente ao Inquérito, e mesmo até internacionalmente com muitas vozes do CIAM a defenderem-nas.
Eu tinha algum contacto com isso através do Távora.

J.S. - Comparando as intervenções que fizeste em casas da família, enquanto na cozinha da avó é nítida a influência de “coisas” corbusianas…

A.S. - …mais “Bauhaus”!...

J.S. - e, no portão do tio Tó, a inspiração em Gaudi é muito evidente…

A,S. - Sim, sim. Sem dúvida…

J.S. - …na casa dos pais, não há uma referência autoral clara. A modernidade é assumida com outra desenvoltura!

A.S. - Porque eu já estava um pouco mais maduro! (risos) Entrei nas Belas Artes em 49. Em 52, estava no 3º ano e ainda não estava verdadeiramente empenhado na Arquitectura. A cozinha e o portão são dessa altura. E, lembro-me que nesse ano foi meu professor de Projectos, o Carlos Ramos, que, na primeira crítica que me fez, de grande agudeza aliás, me disse: “Você não tem a mínima noção do que é a Arquitectura Moderna! E, porquê? Porque não conhece! Aconselho-o a comprar umas revistas, porque precisa de ter muito mais informação!”
Comprei três ou quatro “Architecture d’Aujourd’hui”, entre as quais, calhou, uma sobre Gropius e outra sobre o Alvar Aalto, que, na altura, nem sabia quem eram, mas cada um à sua maneira, me impressionaram muito.
O Gropius pela sua tenacidade, pela importância que dava à aprendizagem, pela convicção inabalável na bondade do Movimento Moderno. O Aalto pela incrível aliança que conseguia entre racionalidade e sentimento, pela sensibilidade e clareza de expressão, pela luminosidade das suas obras.
O Távora foi meu professor no 4º ano. Reconheceu-me qualidades e apoiou-me imenso.
Entre muitas outras coisas foi com ele que aprendi a importância da tradição e a considerar a continuidade como princípio constitutivo da realidade.
Não me espanta que em 61, quando da obra da casa dos pais, apesar de estar no início da carreira, eu já tivesse um outro sentido das coisas, menos ingénuo do que em 52.

J.S. - Para além de paredes, tectos, caixilharias, portas – eventualmente de vidro, etc., a casa precisa de mobília…

A.S. - Claro. Alguma mobília foi desenhada expres-samente: os guarda-fatos, as mesinhas de cabeceira para o quarto dos pais, os móveis da cozinha, o lavatório para debaixo das escadas, e, depois, mais tarde, a estante para o quarto da Teresa, com uma secretária de tampo extensível.
Também um armário para louça embutido na espessura da parede e o encastramento da salamandra num painel de mármore branco, na sala comum.
Algumas outras peças foram sendo compradas ao longo do tempo, porque o Távora, que me trazia até ao Castelo do Queijo, tinha o hábito de passar pelos antiquários e juntos íamos vendo isto ou aquilo que eu depois tentava convencer o meu pai a comprar. Aquele armário gigante, lembras-te?, uma peça notável que só numa sala grande podia caber, os sofás, algumas mesas, etc., foram adquiridas dessa forma. Só nunca consegui convencer o pai a desfazer-se da mobília do escritório, de que eu não gostava nada.

J.S. - E, quanto à iluminação…

A.S. - Também nunca consegui convencer o pai a prescindir do candeeiro central da sala, a que, por brincadeira, chamava o”aracnídeo”!
Uma das proclamações da modernidade era a luz indirecta, os candeeiros de mesa ou de pé, os “apliques” nas paredes. Para a casa ainda desenhei uns semelhantes aos da Casa de Chá, em folheado de madeira.

J.S. - Agora um outro assunto. Quanto ao futuro da casa… Achas que se vai transformar numa casa- -museu?

A.S. - Não. Isso não! Tanto quanto sei vai ser uma espécie de ante-câmara do que no futuro será o Arquivo de Arquitectura. Não me parece que haja a intenção de a transformar numa casa-museu, o que seria lamentável.
Penso que a ideia de organizar um Arquivo de Arquitectura é positiva e é bom para a disciplina, e, por isso, culturalmente defensável. Só que para criar uma instituição com alguma credibilidade é preciso muito trabalho, muita dedicação, muito empenho, fundos financeiros suficientes e, sobretudo co-responsabilizar muita gente, nomeadamente muitos arquitectos. Não pode ser só um ou dois… Esta casa pode albergar os serviços que promovam o arranque dessa instituição…

J.S. - Esperemos que sim… e obrigado pela tua paciência em me aturares!

Quando nos lembramos de casas o mais das vezes o que recordamos são episódios, fragmentos de tempo diacronicamente desordenados, pedaços de vivências de onde se destacam as pessoas que ocasionalmente preenchiam o cenário que, com maior ou menor nitidez, lhes servia de fundo. Raramente nos lembramos de casas sem coisas e sem gente.
Esta casa está ligada à vida de muitas pessoas e de maneiras muito diversas.

Gostaria de nomear uma que seguramente nos últimos cinquenta anos foi a que mais tempo nela permaneceu: a Albertina. Fiel e dedicada empregada, durante décadas, diariamente, à volta dos tachos e panelas, mimoseou a gente da casa e os ocasionais convidados com inesquecíveis cozinhados tão grande era o seu talento de cozinheira. Nunca aprendeu a ler. Viveu tão intensamente os dramas da família que era como se fosse a dela. “Foi a Fátima a pé, para que eu recuperasse da tuberculose…” recorda-me o Álvaro, concordando comigo nesta singela evocação.

  Álvaro Siza Interview by José Salgado
The HOUSE in Roberto Ivens

To talk about a house is not simply to refer to the dimensions of its rooms or to carefully describe the relationships between its spaces. It is these things as well, but, no matter how rigorous this information may be, it will never be enough to achieve a satisfactory portrait of the thing that which is the most relevant when we speak about houses: those moments in life when they are, or were the protagonist.

Ultimately, a house is a thing.

But, being a thing, it however suffers from an irresistible tendency to “un-thing” itself. This is part of its genetic code. Its nature is forever pushing us into other places and interfering in other matters. It is as if, to talk about houses is to plunge into the immeasurable bottomless well of human matters.

Each house is a special case.

It is a special case even before its construction. It begins in the will of someone who declares: “do it” and continues with the process of sedimentation that confers depth to the story’s narrative - both its own narrative and the other more general one, to which it inevitably belongs.

In many cases, noteworthy or important situations exist from the outset. In some other cases, not.

For the house that justifies these lines to become a case worthy of particular interest, countless factors had to come together, factors that were obviously alien and unsuspected for those who until quite recently had had with it any kind of relationship.

We are talking about the house at nº 582, Rua Roberto Ivens, in Matosinhos.

It occupies approximately 84 square metres of a site of 423 square meters. In the patio to the rear there is a small pavilion of 9m2.

The significance of this house resides in the fact that it is the family house of architect Álvaro Siza Vieira; that it has been refurbished by him and that it has been purchased by the Municipality of Matosinhos to house a Documentation Centre relating to the life and work of the architect.

It is a three storey house, whose building was commissioned in the mid 19th century by José Gonçalves de Lima Camacho (1835-1892) a returning immigrant who made his fortune in Brasil and was the great grand-father, on his mother’s side, of the architect. Because every so often, when talking about houses also means talking about architecture, we have decided to transcribe the essence of a conversation with the architect Álvaro Siza on the subject of this house.

José Salgado (J.S.) - A question I would like to see clarified is: how did the commission for the refurbishment of the house come about? Knowing how it was before, not a lot seems to have changed…

Álvaro Siza (A.S.) - No, no. There were significant changes! The house had a traditional arrangement, small spaces, a glazed veranda to the rear and it lacked a room sufficiently spacious for people to gather in. My father’s idea was to enlarge the living room by incorporating the veranda or “marquise”. I can’t recall if he particularly discussed the changes with me but one of the things he really wanted was to have a study. He had in fact already purchased the furniture for the room.
The agreement we arrived at was to make a single room, all be it with some articulation, and to locate the study to the front, onto the Rua Roberto Ivens side and, to the rear, in the area that opens out to the garden, to enlarge the living room and in doing this loose the glazed veranda.
That extension had also to do with the kitchen. In fact with the whole organization of the house. This much was certainly by my own influence, as I sought to make a more fluid space, which, I must say has its advantages and disadvantages. I don’t know that I would do the same today. But the intention was to obtain more space and a greater connection between spaces. In fact those were the ideals of that time, to promote the fluidity of space.

J.S.- You went to live at Rua Roberto Ivens in 1949. You were there a long time without work being done on the house…

A.S. - Yes, yes. But even then, my father and mother would often go to Porto and I would sometimes accompany them to choose and buy taps, sanitary ware or whatever was most needed and urgent to refurbish and improve the condition of the house…

J.S. - The refurbishment works that you oversaw in 1960/61 left the layout of the house more or less unaltered. There were no demolitions of note…

A.S. - No, except for the wall of the “marquise”, which was a stone wall. That was demolished. But all the ceilings, roof finishes and walls were in need of attention. And the electrical and plumbing systems needed to be upgraded and drainage installed, etc.

J.S. - Even though the openings in the walls were untouched, you designed new window frames for them and also a new front door.
How was the introduction of these “new” elements, which were unashamedly modern and a little strange for the time, seen by your father? Did he accept themwith good grace?

A.S. - No. Sometimes we would argue, maybe because the works were becoming expensive, more than he had envisaged, or because he might consider a particular change was excessive. Have thought it unnecessary. I, of course, who was only starting my career, was full of enthusiasm and really wanted the job to be done well. Hence the attention to all the details, from design to the choice of materials, the colours; in short all that was at stake in the project.

J.S. - Other than evidence of the new windows, one of the marks, let’s say, of your intervention, was that tube…

A.S. - Ah! I know! We had to ventilate the basement bathroom! Because the project also included the basement. The ceiling height was very low. Access to the basement, which had been exclusively for services, was either via a very narrow internal stairs or from the outside, via the patio. In its new layout, a service bedroom was included, with a bathroom, a service area and a living area opening onto the patio. It was pretty chilly! We even had a bookcase built especially for it… The bathroom needed to be ventilated. There was no chimney and no wall that could carry one. So I had it exposed! It was the principle of “truth in architecture”! So my Father reacted: “but… this is horrible, a fibre cement tube coming right through the house!!”

J.S. - In fact, as you enter the first thing you see is this element, that you can’t figure is it a column, a pillar… no one is indifferent to it…

A.S. - (laughter) At first, my father didn’t like it at all! “What a horror!” But he ended up by giving in. As you know, my father was someone who was well able to argue, to scold, but ultimately he was very tolerant. He didn’t have a fighting spirit, (laughter), for the use of power.

J.S. - In any case, how did you manage your relationship with such a special client?

A.S. - On the one hand he was very critical in relation to what he considered to be excessive, particularly things that he thought to be an unnecessary expense. On the other hand, because he was a father, he recognized my effort and enthusiasm which he witnessed everyday and he was never destructive in the criticisms that he made. I think that he always understood the need for me to affirm my youth.

J.S. - On the question of the pavilion….
When you moved in, was the pavilion already there?

A.S. - No! The pavilion was built during the first remodelling of the house, when I was about 15 or 16 years of age. After Teresa was born…

J.S. - Were you already at the school of Fine Art?

A.S. - No, not as yet! I started there after that and I was a little put out because it was not exactly what I had wanted …But in relation to the pavilion, it was my father’s request. I had drawn up some agricultural buildings for a farm that a good friend of my father’s, Ferreira da Silva, had in Geraz do Lima. I had been drawing since I was a child, and Ferreira da Silva thought that, seeing as I was always drawing, I could do a project, or better said, draw up the few farm buildings that he needed.
Since I was able to do those drawings, my father therefore asked me to design a space which my brother and I had been asking for, to study, draw and also set up a mini chemistry laboratory.
I did the drawing under his instructions.
In those days I knew nothing about anything. Anyhow, there was a builder who did and therefore clarified whatever needed to be clarified, and so, the pavilion was built. It is somewhat the expression of the taste of that time. A conservative taste, relating to the “Portuguese House” with little roofs and eaves. I did not even have a critical sense in relation to that. I just did what my father wanted but I did it with pleasure as this was a new way for me to draw. And with the added interest that it was for my own benefit, as I would acquire a space for working in.
In the pavilion I drew, painted, studied, sculpted as well as I could, and my brother did chemistry experiments, that invariably ended with the arrival of lunch time, when, full of excitement he would announce to my father: “today I invented such and such a process to deal with this or that!” and to which my father invariably replied: “but son, that was invented centuries ago!”. However disappointed, the following day his head would already be full of new “inventions”!

J.S. - And Júlio Manuel? Did he not use the pavilion?

A.S. - No Júlio Manuel studied in his bedroom near the entrance to the house and he had a busy life outside the house because he played volleyball, basketball and handball. He played for Leixões and Centro Universitário. He was a very communicative person, apart from being very serious about his studies, which he completed brilliantly, before the accident in which he died.
It was António Carlos and I who used the pavilion. Occasionally my father would also, mostly to give us grinds in mathematics. Do you remember the black board? Was it still there when you came on the scene… it was what he used for those lessons.

J.S. - What about the backyard? Is that what it should be called? Or maybe a garden…

A.S. - My father wanted to make a stone pathway… After that all the rest was Mother’s domain. She would decide what flowers would be planted, what plants, trees, about the hen house, etc.
It is worth reflecting that at that time in the house next door, which belonged to my mother’s grand-mother and which had direct access to ours, a pig was kept. Every year a pig would be fattened up. Then there would be the death, the murder (laughter) of the aforementioned. After that, there would be a great feast, a big lunch, providing leftovers that would last over the year.
We spent a great deal of time at my great grand-mother’s house. In those days, as we were all studying, not as much, but when we were smaller, we would go and play there everyday.

J.S. - Your earlier memories are no doubt connected to the house of your father’s mother where you were born and spent your infancy and first years of your childhood. Knowing how close the family was and how that closeness was maintained through very well defined routines, did you feel any shock when you moved to the house in Rua Roberto Ivens? To what extent did the “modus vivendi” change?

A.S. - It was more to do with the changes that happened progressively. In my grand-mother’s house, the centre of life was the dining room. There we would lunch, study, work, have snacks, dinner, etc.
I got my primary education learning at home. Once lunch was over and the table tidied up the teacher would arrive, who was a relative of ours, an English teacher and it was there on that same table that I would have my lessons, do my copying, dictations, etc.
After dinner, free time or work would continue to happen in this room, as that was the habit. Ladies would knit or embroider and my father, when he arrived late, because he taught in the evening, - he taught technical design at the evening course in the Escola Infante D. Henrique, - it was at this table that he would sit to correct his pupil’s work. Only a few days ago I met one of his ex-pupils in Aveiro. Very old, but he recognized me and came over to talk with me. He was from Matosinhos.
But coming back to the living room, that was the location for other activities: at the week-end we played ping-pong on the table! Friends of my father and uncle would come over and it was there that I started drawing. Sitting on the lap of my uncle Quim, who couldn’t draw at all, but always encouraged me. He would teach me to draw a horse or something, even though he couldn’t do it himself. He would constantly stimulate me and it was him who engrained into me that I should sign the drawings. I used to sign Ajo, a signature that he invented for me: obviously coming from Álvaro Joaquim!!
Before we moved house, heating was by means of a “braseira” or a copper tray filled with coal and embers, that was put under the table, everyone tried to keep their feet on the wooden stand where the tray was fitted. When the meal was finished, the tray was taken away, but the table continued being the centre of activity. Clearly, with the end of the war some changes, to which all families adhered, became more pronounced. There was the beginning of a more open social life within the neighbourhood. To the extent that the neighbourhood became a natural extension of family life. With its advantages and disadvantages. It started to make sense to talk about a shared room (a living room), to own a refrigerator or a radio. I remember listening to Fernando Pessa on BBC, during the war. My father would listen and I would stay with him. It was also through the radio that I started listening to and appreciating opera, of which my father was an ardent fan. Radio was very important…

J.S. - There was even a radio room…

A.S. - …or bedroom?! That was adjacent to the dining room and was the extension of that centre of social interaction…

J.S. - In any event, the habits or certain of the routines from your grand-mother’s house started to change, if for no other reason than because the physical space where they would have happened had also changed…

A.S. - Yes, of course. In a way due to a sense of becoming specific. For example, it was not by chance that my father wanted to have his own study. As soon as we started refurbishing the house he went and bought a suite of furniture. He felt the need to have a space of his own, specialised. The polyvalence of the dining room began not to make sense. And isn’t it true that the specialisation of function is one of the touchstones, one of the most distinguishing marks of modernism? This and the fluidity of space, connection between spaces, which had to do with the minimal areas of different compartments and that being overcome by means of visual magnification.

J.S. - There is no doubt that, being a traditional house, similar to many others of the mid-19th century, the house in Roberto Ivens shows from the front door and its overall façade the clear marks of modernity of the 1950’s and 1960’s. However, despite the presence of the modern elements, the nineteen hundreds “feel” of the house has not been destroyed…

A.S. - I can’t recall precisely, because it was a long time ago, whether that was a deliberate intention, not to break away from that continuity, or whether it was simply the result of economy. I know that there is no radical transformation. But if it has something to do with economy, it certainly also has to do with the interest of the time for traditional architecture. I think this was close to the time that the “Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa” or, Survey of Portuguese Traditional Architecture, was carried out.
I remember for instance that the choice for the interior colour, that dry green, had to do with a house where I had been, I’m not sure where, an old house that had that colour. That green was used at the sea-side, Vila do Conde, Póvoa, etc.
With a search for modernity, of course, but at a time when a strong dialogue about tradition and continuity began to emerge, in sequence or contemporary with the Survey and this was even at an international level, with a lot of voices at the CIAM arguing for it.
I would have had some contact with this through Távora.

J.S. - Comparing the interventions that you made in your family home, in relation to your grandmother’s kitchen where the influence of corbusian “things” is pronounced…

A.S. - …more “Bauhaus”!...
J.S. - and in your uncle Tó’s gateway, the inspiration by Gaudi is quite evident…

A.S. - Yes, yes. No doubt…

J.S. - …in your parent’s house there is no clear reference to an author. Modernity is expressed with a different kind of resourcefulness.

A.S. - Because then I was that little bit more mature! (Laughter). I started at the School of Fine Arts in ‘49. In ‘52, I was in third year and at that stage was still not truly engaged with Architecture. The kitchen and gate are from that period. I remember that in the same year, Carlos Ramos was my tutor for Studio Work and the first comment he made about my work, in fact with great insight, was: “You don’t have the slightest notion of what Modern Architecture is! And why? Because you don’t know it! I advise you to purchase a few magazines, because you need a lot more information!”
I bought three or four “Architecture d’Aujourd’hui”, amongst which, by chance, there was one on Gropius and another on Alvar Aalto, whom I didn’t even know who he was at the time, but in their own way, both made a great impression on me.
Gropius for his tenacity, for the importance he gave to learning, for his unshakeable conviction in the goodness of the modern movement. Aalto for the incredible alliance that he achieved between rationality and sentiment, for the clarity of expression and for the luminosity of his work.
Távora was my teacher in fourth year. He saw qualities in me and gave me a lot of support.
Amongst many other things, it was from him that I learnt about the importance of tradition and to consider continuity as a fundamental principle of reality.
It doesn’t surprise me that by ‘61, at the time of the works for my parent’s house, despite only being at the start of my career, I already had a different sense of things, and was less naïve than in ‘52.

J.S - Over and beyond walls, ceilings, window frames, and doors, - eventually glass ones, etc., the house needed furniture…

A.S. - Of course. Some of it was specially designed: the wardrobes, the bedside tables for my parent’s bedroom, the kitchen furniture, the wash hand basin for under the stairs and, later the bookcase for Teresa’s bedroom with a desk with an extendable lid.
Also a dresser for china, imbedded into the wall and a white marble surround for the stove in the living room.
Some other pieces were bought as time went by, because Távora, who would usually give me a lift as far as Castelo do Queijo, had the habit of stopping at antique shops and together we would see this and that, which I would then try and persuade my father to buy. Do you remember the giant wardrobe? A remarkable piece, that would only fit in a large room, the sofas, some of the tables, etc, were all acquired in that way. The only thing I didn’t succeed in, was convincing my father to get rid of his office furniture suite, which I didn’t like at all.

J.S. - And as for the lighting….

A.S. - I also never persuaded my father to take away the central ceiling light in the living room, which I jokingly used to call the “spider”!
One of the decrees of modernity was indirect light, table or foot lamps, wall lighters. I designed a few for the house, in timber veneers, like the ones for the Tea House.

J.S. - Now onto something else. As to the future of the house… Do you think it will be transformed into a museum-house?

A.S. - No I don’t! As far as I know, it is to become a sort of ante-chamber for what will in time become the Architectural Archive. I don’t think there is an intention to transform it into a museum-house, which would be regrettable.
I think that the idea of creating an Architectural Archive is positive and is good for the discipline. It is therefore justifiable in cultural terms. The only thing is that, to create such institution with a degree of credibility, a lot of work and devotion are necessary, a lot of dedication, sufficient financial funding and, above all the sharing out of the responsibility amongst many people, particularly architects. It can’t just be one or two… This house could accommodate the services which would promote the start up of such an institution…

J.S. - Let us hope so…. And thank you for your patience in putting up with me!

When we reminisce about houses, what we mostly think of, are episodes, fragments of time diachronically disordered, bits of life in which the people who occasionally inhabit the scenario are highlighted, against a background that may be more or less distinct. We rarely remember houses empty of people and things.
This house is connected to the lives of many people in many and varied ways.

I would like to highlight one person, who over the last fifty years was surely the one who was there the longest: Albertina. A faithful and devoted maid, who for decades, daily around her pots and pans, pampered the people of the house and their occasional guests with unforgettable meals, such was her talent for cooking. She never learnt how to read. She lived the family dramas as intensely as if they were her own. “She walked to Fátima, so that I would recover from tuberculosis…” adds Álvaro, agreeing with me in this simple evocation.


COPYRIGHT
- Todas as imagens e textos apresentados neste destaque especial são propriedade de ultimasreportagens.com/ Casa da Arquitectura/ família Siza Vieira/Centro de documentação Álvaro Siza e estão protegidas pelas leis de protecção à propriedade intelectual em vigor e pelos tratados internacionais referentes aos direitos de autor.

COPYRIGHT
- All the texts and images displayed in this site are ultimasreportagens.com/ Casa da Arquitectura/Siza Vieira family/Centro de documentação Álvaro Siza property. They are all protected by the current intelectual property laws and by the international treatises regarding author´s rights.

Copyright © 2004-2009  Últimas Reportagens FG+SG www.fernandoguerra.com | www.ultimasreportagens.com